O Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense — PPGEP/UFF Niterói — anuncia o lançamento do projeto “Inteligência Artificial Generativa: Ciência, Aplicação e Impacto”, uma série de encontros acadêmicos voltada à discussão qualificada sobre os impactos da IA Generativa na pesquisa científica, na educação, na governança digital, na prática profissional e na sustentabilidade da sociedade.
A iniciativa será realizada em formato de ciclo de palestras, nos meses de abril e maio de 2026, reunindo pesquisadores, docentes, discentes, profissionais e especialistas de diferentes instituições brasileiras. O objetivo é criar um espaço interdisciplinar de reflexão sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: a transformação provocada pela Inteligência Artificial Generativa nos modos de produzir conhecimento, formar profissionais, organizar processos, tomar decisões e gerar valor social.
A proposta integra as ações acadêmicas do PPGEP/UFF Niterói para fortalecer a formação de alto nível em Engenharia de Produção, com atenção aos desafios contemporâneos da transformação digital, da inovação responsável, da ética tecnológica, da sustentabilidade e da governança de sistemas sociotécnicos complexos.
IA Generativa e os novos desafios para pesquisa, formação e sociedade
A emergência da Inteligência Artificial Generativa tem provocado mudanças significativas na produção científica, na escrita acadêmica, na revisão por pares, na análise de dados, na educação superior, na gestão de operações, na saúde, na indústria, nos serviços e nas organizações públicas e privadas. Mais do que uma tecnologia de apoio, a IA passa a influenciar diretamente os processos de trabalho, os modelos de decisão, as competências profissionais e a própria forma de organizar a pesquisa e a inovação.
Esse cenário exige que universidades, programas de pós-graduação e centros de pesquisa promovam discussões qualificadas sobre uso responsável, integridade acadêmica, transparência, governança, segurança de dados, impactos sociais e redesenho das competências profissionais.
Nesse sentido, o projeto do PPGEP/UFF Niterói busca contribuir para a formação crítica e aplicada de pesquisadores e profissionais capazes de compreender a IA Generativa não apenas como ferramenta tecnológica, mas como fenômeno científico, organizacional, educacional e social.
Primeira palestra: impactos da IA Generativa na pesquisa acadêmica
A primeira palestra do ciclo será realizada no dia 28 de abril de 2026, terça-feira, às 18h, com o Dr. Rafael Cardoso Sampaio, da Universidade Federal de Pernambuco — UFPE.
O tema será “Impactos da IA Generativa na Pesquisa Acadêmica”, com abordagem sobre as transformações provocadas pelos modelos de IA Generativa na produção científica, nos processos de revisão por pares, na integridade acadêmica e nas dinâmicas de governança digital na pesquisa contemporânea.
A participação é gratuita e aberta a docentes, discentes, pesquisadores, profissionais e demais interessados.
Data: 28/04/2026, terça-feira
Horário: 18h
Palestrante: Dr. Rafael Cardoso Sampaio — UFPE
Tema: Impactos da IA Generativa na Pesquisa Acadêmica
Participação gratuita: https://meet.google.com/sqz-crmn-aat
Relatório Deloitte reforça urgência do debate sobre IA
A relevância do ciclo é reforçada por evidências recentes apresentadas no relatório State of AI in the Enterprise: The untapped edge, publicado pela Deloitte em janeiro de 2026. O estudo, baseado em levantamento com mais de 3.200 líderes de negócios e tecnologia em 24 países, aponta que as organizações estão em um momento decisivo: a IA avança rapidamente, mas seu potencial pleno ainda permanece subutilizado.
Segundo o relatório, o acesso dos trabalhadores a ferramentas autorizadas de IA aumentou 50% em um ano, passando de menos de 40% para cerca de 60%. No entanto, entre aqueles que têm acesso, menos de 60% utilizam essas ferramentas em seus fluxos diários de trabalho, indicando uma lacuna entre disponibilidade tecnológica e incorporação efetiva na prática profissional.
Outro ponto relevante é a dificuldade das organizações em transformar pilotos de IA em soluções produtivas e escaláveis. Apenas 25% das empresas pesquisadas informaram ter levado 40% ou mais de seus experimentos de IA para produção, embora 54% esperem atingir esse patamar nos próximos três a seis meses. Esse dado evidencia a necessidade de planejamento, governança, infraestrutura, capacitação e visão estratégica para que a IA gere impacto real.
O relatório também mostra que a IA já produz ganhos expressivos de produtividade e eficiência, mas ainda são poucas as organizações que a utilizam para redesenhar processos, criar novos modelos de negócio e promover transformação estrutural. Entre as empresas pesquisadas, 34% estão usando IA para transformar profundamente produtos, processos e modelos de negócio; 30% estão redesenhando processos-chave em torno da IA; e 37% ainda utilizam a tecnologia de forma mais superficial, com pouca alteração nos processos existentes.
Outro alerta importante refere-se à formação profissional. A Deloitte destaca que 84% das empresas ainda não redesenharam cargos ou a natureza do trabalho em torno das capacidades da IA. Ao mesmo tempo, a insuficiência de competências dos trabalhadores aparece como uma das principais barreiras para a integração da IA aos fluxos organizacionais. Esse diagnóstico reforça a importância de programas de pós-graduação discutirem fluência em IA, requalificação profissional, redesenho de processos e novas trajetórias de carreira.
O estudo também chama atenção para a governança. A adoção de agentes autônomos de IA deve crescer rapidamente: quase três em cada quatro empresas planejam implantar IA agentiva em até dois anos. Entretanto, apenas 21% relatam possuir um modelo maduro de governança para agentes autônomos, o que amplia os riscos relacionados à segurança, à responsabilização, à privacidade, à conformidade regulatória e ao controle das decisões automatizadas.
Para o PPGEP/UFF Niterói, esses dados evidenciam que a discussão sobre IA Generativa deve ir além do domínio técnico. É necessário debater seus impactos sobre pesquisa, educação, gestão, operações, saúde, serviços, governança, ética, sustentabilidade e desenvolvimento humano.
