RESUMO DO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA ENGENHARIAS III: Avaliação Quadrienal CAPES 2021-2024

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES publicou o Relatório de Avaliação da Área Engenharias III, referente ao quadriênio 2021-2024. O documento apresenta os procedimentos, critérios e indicadores utilizados na Avaliação Quadrienal 2025 dos programas acadêmicos e profissionais vinculados à área, incluindo os programas de pós-graduação em Engenharia de Produção. O relatório deve ser compreendido como documento de referência para o planejamento dos programas de pós-graduação. A avaliação não se limita à quantidade de publicações: considera, de forma integrada, a qualidade da formação, a organização do programa, a produção intelectual, a atuação de docentes e discentes, o impacto na sociedade, a internacionalização e a visibilidade institucional.

  1. Como foi realizada a avaliação
    O processo foi conduzido por uma comissão formada por especialistas de diferentes instituições e regiões brasileiras, respeitando critérios de competência técnico-científica, representatividade, diversidade geográfica e ausência de conflitos de interesse.
    Os trabalhos foram organizados em seis subcomissões, responsáveis pelos seguintes temas:
    – estrutura e organização do programa;
    – planejamento estratégico e autoavaliação;
    – teses e dissertações;
    – formação e acompanhamento de egressos;
    – produção técnico-tecnológica e impacto;
    – internacionalização, inserção e visibilidade.
    A avaliação combinou análises qualitativas e indicadores quantitativos extraídos principalmente da Plataforma Sucupira, do SciVal, dos documentos apresentados pelos programas e de suas páginas institucionais. Cada programa recebeu conceitos nos itens e quesitos da ficha de avaliação, expressos nas categorias Muito Bom, Bom, Regular, Fraco ou Insuficiente, que fundamentaram a atribuição das notas de 1 a 7.
  1. Estrutura da avaliação
    Quesito 1 – Programa
    Avalia a organização e a coerência interna do programa, considerando:
    – aderência das áreas de concentração, linhas e projetos de pesquisa;
    – atualização da estrutura curricular, das ementas e das bibliografias;
    – adequação da infraestrutura;
    – perfil, atuação e aderência do corpo docente;
    – planejamento estratégico;
    – política e resultados da autoavaliação.
    O relatório enfatiza que o planejamento estratégico deve apresentar diagnóstico institucional, missão, visão, objetivos, metas quantificáveis, ações, responsáveis, prazos e mecanismos de acompanhamento. A autoavaliação também deve constituir processo sistemático e
    documentado, articulado ao planejamento estratégico e orientado à melhoria da formação discente e da produção intelectual.

Quesito 2 – Formação
Examina os resultados diretamente relacionados à formação de mestres e doutores, incluindo:
– qualidade e aderência das teses e dissertações;
– composição e qualificação das bancas;
– produção intelectual decorrente das pesquisas discentes;
– participação de estudantes e egressos nas publicações;
– qualidade, regularidade e distribuição da produção docente;
– projetos de pesquisa;
– sucesso e atuação dos egressos;
– práticas inovadoras de formação.
Esse quesito reforça que não basta apresentar elevado volume de produção. É necessário demonstrar qualidade, participação discente, vínculo com teses e dissertações, distribuição entre os docentes e coerência com as linhas de pesquisa do programa.

Quesito 3 – Impacto na sociedade
Avalia a capacidade do programa de produzir resultados relevantes para a ciência e para a sociedade, considerando:
– impacto das produções intelectuais selecionadas;
– premiações e reconhecimentos;
– produção técnico-tecnológica;
– impacto econômico, social, cultural e institucional;
– internacionalização;
– inserção local, regional e nacional;
– visibilidade e transparência das informações do programa.
O relatório valoriza ações que demonstrem resultados concretos e documentados, evitando relatos genéricos ou apenas descritivos.

  1. Classificação dos periódicos científicos
    O Qualis Periódicos utilizou uma classificação única por periódico, atribuída por uma área-mãe. Para os periódicos indexados, foram considerados principalmente o CiteScore 2023, da base Scopus, e o Journal Impact Factor – JIF 2023, da Journal Citation Reports/Clarivate. Quando o periódico possuía os dois indicadores, foi utilizado o maior percentil.
    Estrato Percentil
    – A1 igual ou superior a 87,5
    – A2 de 75 a menos de 87,5
    – A3 de 62,5 a menos de 75
    – A4 de 50 a menos de 62,5
    – B1 de 37,5 a menos de 50
    – B2 de 25 a menos de 37,5
    – B3 de 12,5 a menos de 25
    – B4 inferior a 12,5
    Na Área Engenharias III, foram analisados 933 títulos, sendo 183 classificados como A1, 125 como A2, 122 como A3 e 93 como A4.
    O relatório também alerta para periódicos que não asseguram a integridade do processo editorial. Foram considerados sinais de risco:
    – promessa de publicação ou revisão excessivamente rápida;
    – processos de revisão por pares pouco transparentes;
    – exigência de pagamento antes da submissão;
    – baixa reputação acadêmica do conselho editorial;
    – número excessivo de edições especiais;
    – retirada do periódico de bases como Scopus ou Web of Science por problemas editoriais.
    Revistas com práticas editoriais incompatíveis com a integridade científica poderiam ser rebaixadas ou classificadas no estrato C.
  1. Classificação dos eventos científicos
    Foram analisados 24.422 trabalhos publicados em eventos entre 2021 e 2024. Os eventos foram classificados em quatro níveis:
    – A1 – Internacional: reconhecimento mundial e participação de diferentes continentes;
    – A3 – Supranacional: participação multinacional e reconhecimento internacional;
    -B1 – Nacional: eventos promovidos por sociedades científicas ou grupos brasileiros reconhecidos;
    – B3 – Local, regional ou outros eventos.
    A distribuição foi de 5.974 trabalhos em eventos A1, 4.586 em A3, 9.817 em B1 e 4.045 em B3.
  1. Internacionalização, inserção e visibilidade
    A internacionalização foi avaliada de maneira ampla. Não se restringe à publicação de artigos com autores estrangeiros, abrangendo também:
    – mobilidade de docentes e discentes;
    – doutorado-sanduíche e pós-doutorado;
    – cotutelas e dupla titulação;
    – orientação e coorientação internacional;
    – participação em redes e projetos internacionais;
    – visitas de pesquisadores estrangeiros;
    – disciplinas e atividades acadêmicas em colaboração;
    – produção científica com cooperação internacional.
    O relatório também distingue internacionalização de inserção nacional, regional e local. Os programas devem demonstrar simultaneamente capacidade de inserção internacional e contribuição efetiva para os problemas e demandas do país e de sua região. A visibilidade institucional depende da manutenção de páginas atualizadas, acessíveis e transparentes, preferencialmente disponíveis também em inglês, contendo informações sobre docentes, discentes, linhas de pesquisa, processos seletivos, produção, projetos, regulamentos e resultados do programa.
  1. Requisitos para as notas 6 e 7
    Somente programas com doutorado em funcionamento nos dois últimos quadriênios e desempenho global de excelência puderam ser considerados para as notas 6 e 7.
    Para a nota 6, o programa deveria obter conceito Muito Bom nos três quesitos, admitindo-se, dentro de limites específicos, até dois itens avaliados como Bom.
    Para a nota 7, além de conceito Muito Bom nos três quesitos, todos os itens da avaliação deveriam ser classificados como Muito Bom.
    Também foi exigida diferenciação clara em relação aos programas nota 5, especialmente quanto à excelência da formação, produção intelectual qualificada, impacto acadêmico e social, internacionalização, liderança e reconhecimento nacional e internacional.
  1. Principais mensagens para docentes e discentes
    Para os docentes

    – manter produção científica qualificada e regularmente distribuída;
    – publicar com discentes e egressos;
    – vincular a produção às teses, dissertações, projetos e linhas de pesquisa;
    – atualizar ementas e bibliografias;
    – ampliar projetos financiados e redes de pesquisa;
    – registrar adequadamente produtos, impactos, premiações e atividades;
    – fortalecer a internacionalização e a cooperação interinstitucional;
    – participar ativamente do planejamento e da autoavaliação.
    Para os discentes
    – desenvolver pesquisas aderentes às linhas do programa;
    – buscar publicações qualificadas derivadas da dissertação ou tese;
    – participar de eventos científicos relevantes;
    – produzir em coautoria com orientadores e grupos de pesquisa;
    – integrar projetos, atividades de extensão e iniciativas de impacto;
    – aproveitar oportunidades de mobilidade, cooperação e formação internacional;
    – manter atualizados os registros acadêmicos e curriculares.
  1. Implicações para o PPGEP/UFF Niterói
    Para o PPGEP/UFF Niterói, o relatório oferece uma referência objetiva para o aperfeiçoamento contínuo e para a busca de progressão na avaliação da CAPES. Entre as prioridades estratégicas estão: 1. elevar a qualidade e a regularidade da produção científica, especialmente nos estratos superiores; 2. ampliar as publicações vinculadas às dissertações e teses, com participação de discentes e egressos; 3. assegurar maior equilíbrio da produção entre os docentes permanentes; 4. atualizar continuamente disciplinas, ementas e referências bibliográficas; 5. consolidar o planejamento estratégico com metas, indicadores, responsáveis e prazos; 6. fortalecer a autoavaliação e demonstrar como seus resultados geram ações de melhoria; 7. registrar com maior precisão os impactos econômicos, sociais, científicos e tecnológicos; 8. ampliar a mobilidade e a internacionalização discente; 9. desenvolver cooperações internacionais estruturadas e de longo prazo; 10. fortalecer a visibilidade institucional, inclusive por meio de informações completas em língua inglesa.

Considerações finais
A Avaliação Quadrienal evidencia uma pós-graduação cada vez mais orientada por resultados, evidências e impacto. A qualidade de um programa é construída pela integração entre formação discente, produção científica, atuação docente, planejamento, autoavaliação, inserção social e internacionalização.
Assim, o avanço do PPGEP/UFF Niterói de nota 4 (na avaliação quadrienal – 2021-2024) para nota 5 depende do envolvimento coordenado de docentes, discentes, egressos, grupos de pesquisa, secretaria e gestão do Programa. Cada publicação, dissertação, tese, projeto, parceria, premiação, produto tecnológico e ação de impacto contribui para o desempenho coletivo e para o fortalecimento do Programa no Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Fonte: CAPES. Relatório de Avaliação 2021-2024 – Engenharias III. Avaliação Quadrienal 2025.

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